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Fabrício Carpinejar
Escritor, poeta, jornalista e professor. É autor de "As Solas do Sol", "Um Terno de Pássaros ao Sul", "Terceira Sede", "Biografia de uma árvore", "Caixa de sapatos", "Cinco Marias" e "Como no céu/Livro de Visitas", além do infantil "Porto Alegre e o Dia em que a cidade fugiu de casa”. Lançou recentemente seu primeiro livro de crônicas, "O Amor Esquece de Começar" (Bertrand Brasil).
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Nosso amigo poeta

Colaborador Amigo: Fabricio Carpinejar
Dicas, críticas ou sugestões!

Meu pijama monocromático


Com os filhos, queremos ressuscitar nossa infância. Fui comprar pijama para o Vicente, de 4 anos. Passei nas lojas mais descoladas com ele a tiracolo e não encontrei um conjunto que servisse. Não era problema de número, nem de falta de mercadoria. O problema era eu.

Não achei um pijama como antigamente. Pijama inconfundível, com cara e temperamento de pijama. As atendentes mostravam apenas roupas que poderiam servir para passeio e festas com o título falso de pijama.


Bermudas e camisas estampadas com figuras da hora que não se diferenciavam em nada daquelas que pulam das gavetas do seu armário. Desde quando bermuda e camisa coloridas formam pijama? 


Cadê o conjunto monocromático que ninguém duvidava antes de sua natureza sonâmbula, que poucos teriam a coragem de ostentar na rua? Pijama mesmo, com sonoplastia de telenovela, de tecido leve para trafegar entre a janta e o café da manhã. Pijama como roupa para dentro. Pijama que tinha como único parente possível à malfadada ceroula, calça colada que a mãe me obrigava a botar no inverno debaixo do uniforme.

Pijama que combinava com os cabelos em pé e os olhos remelentos. Com uma caneca de Nescau e bocejo de urso.

O pijama representava um segundo lençol, uma segunda cama, as bainhas arrastadas na cozinha. Nosso cheiro dormindo. Minhas melhores noites dependiam se o pijama estava limpo, seco e passado.

Agora os pijamas são trajes para sair, vestuário freqüente na praça, na piscina, na lanchonete, sem causar um ruído de estranhamento.

Na minha época, sair com pijama para recolher o jornal era sair pelado. Um risco, atenuado com pedaladas cronometradas e rápidas corridas com a porta entreaberta. Atender visita de pijama respondia a um constrangimento. Ou expressava um grau severo de intimidade.

Hoje pijamas são peças comuns, que mostram a pressa dos casais. Os filhos dormem daquele jeito e estão prontos para sair. Não precisam se arrumar. Já dormem vestidos de escola. Não têm folga para se desapegar do sono, negociar com a luz e fazer chantagem com as janelas. Mal levantam e são intimidados a pegar suas coisas e voar pelas escadas. Até os pássaros gozam do direito de trocar a voz quando acordam. Sem o pijama, descemos roucos com o sono ainda dominando os movimentos. 

Sou favorável ao velho pijama. Nem tanto ao pijama velho. Pode me rotular de nostálgico, de saudosista, de conservador, argumentar que o figurino atual é bem mais atraente. Sei que é. Questiono o sacrifício do costume que se escondia no pijama e que permitia ficar mais tempo com os filhos. Mais tempo com a hibernação da casa no corpo.

 

 

 

O Amor Esquece de Começar

O amor, como a atmosfera, nos envolve, nos alimenta. Também pode envenenar. O amor é o mais intenso dos sinônimos da vida, o mais permanente, o que de fato salva. O amor nos consome e nos consuma. Na coletânea de crônicas O Amor Esquece de Começar, Fabrício Carpinejar, autor dos aclamados livros de poemas Cinco Marias, Como no Céu/Livro de Visitas e As Solas do Sol, comparece pela primeira vez vestido em prosa, em linguagem fluente, conversando quase num sussurro generoso - porque o que ele nos traz são notícias, impressões, e mais, a força impactante, reconfortadora e capaz de fazer nascer o ser que sempre fomos. Só que, desta vez, completos. A mulher, principal interlocutora de seus textos certeiros, não está sozinha. O homem também pode participar dessas revelações que, apontadas numa direção, atingem todos e tudo.

Livro: O Amor Esquece de Começar

Autor: Carpinejar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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