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Sucessos efêmeros

Eles conseguiram emplacar no máximo dois sucessos, mas a gente lembra deles até hoje: Absyntho (os do ursinho Blau Blau), Afrodite se quiser ("o que é que ela tem que eu não tenho?"), Dr. Silvana e Cia. ("eu fui dar mamãe/ fui dar um serão extra"), Espírito da Coisas ("mãe, eu acho que estou ligeiramente grávida"), Fausto Fawcett (com Kátia Flávia, a louraça belzebu), Inimigos do Rei ("Adelaide, minha anã paraguaia"), Gang 90 e Absurdetes ("eu e minha gata, rolando na relva"), Heróis da Resistência ("só pro meu prazer").

Reflexão

Colaborador Amigo: Ferdinando Martins
Dicas, críticas ou sugestões!

Nosso amigo gay

Já virou até folclore: toda mulher moderna tem um amigo gay. Isso é fato. Os politicamente corretos que me perdoem a generalização, mas nós gays somos, sim, divertidos, bem informados e sabemos como fazer uma mulher feliz. Desculpem, héteros, mas a gente conhece qual corte de cabelo vai aumentar a auto-estima da sua mulher. E também sabemos conversar com ela sobre política, economia e negócios sem nos sentirmos superiores ou subestimando a inteligência de nossa amiga.

Estou aqui estreando a coluna para fazer o que todo amigo gay faz: Conversar sobre tudo de maneira positiva e para cima: da franja repicada ao resultado das eleições. Pode participar e perguntar o que quiser: se o comprimento da saia está bom, como anda a política, se você deve ligar para ele ou não. Neste último caso, a resposta vai ser sempre a mesma: Resista!


Alguns motivos para assistir “O diabo veste Prada”

Confessa: a gente adora uma boa liquidação, não é? E um outlet com os preços lá em baixo? Um paraíso! Queima de estoque na loja de sapatos? Loucura! Agora, imagine que ao invés de comprar as roupas quando elas já estão mais
baratas, você fosse tão poderosa, mas tão poderosa, que receberia antes de todo mundo as novidades dos maiores estilistas do mundo e ainda ganhasse por isso? Pois esse é o trabalho de Andy Sachs (Anne Hathaway) no filme “O Diabo veste Prada”, de David Frankel. Andy é a assessora pessoal de Miranda Priestley (Maryl Streep), editora todo-poderosa da revista Runway.

Mas nem tudo são flores para Andy. Ela é obrigada a suportar as ordens de Miranda que pede absurdos como a edição do último Harry Potter antes que o livro chegue às livrarias, apenas para que suas filhas sejam as primeiras a ler. A sátira funciona bem para mostrar a relação complicada entre chefe e empregado. Mesmo nos Estados Unidos do início do século XX, Miranda trata Andy como se fosse um senhor de engenho, dona de todos os aspectos da vida da assessora. Tanto que obriga Andy a carregar sempre um celular, para estar sempre à mão quando ela precisar. Resta a Andy saber o quanto vale a pena suportar a submissão. As estratégias de dominação, porém, são diferentes: ela não é amarrada no pelourinho, mas seduzida pela promessa de ser indicada para trabalhar na revista New Yorker, isca que Miranda usa para mantê-la sob controle.

Andy é também uma heroína contemporânea dividida entre a realização profissional e o namorado Nate (Adrian Grenier). Em O Sorriso da Monalisa, de Mike Newell (com Julia Roberts), garotas vivendo nos anos 50 tinham de escolher entre casar ou ir para a faculdade. Para Andy e Miranda, nos dias de hoje, isso não é mais uma questão. As mulheres não só conquistaram o mercado de trabalho como se saem bem na carreira. O problema é até que ponto vale a pena investir no trabalho, deixando para trás amigos, família e namorado. Nate tem muita paciência, mas se sente trocado pela chefa de Andy. O Diabo veste Prada é, portanto, um filme que mostra paradoxos muito recorrentes nas mulheres de hoje, seja na América do Norte ou no Brasil. Outro motivo para você assistir é ver o delicioso desfile de roupas e acessórios das personagens. O ritual diário de se vestir para ir trabalhar é um verdadeiro jogo de peças que se encaixam. O mundo da moda, no entanto, não é mero pano de fundo para a história. Território tradicionalmente ligadoàs mulheres, no filme elas aparecem dominando características antes consideradas masculinas - ambição, capacidade de negociar, liderança - mas também se preocupando com roupas e acessórios. Como as mulheres sempre souberam, aparência é fundamental. Na indústria fashion, gera dinheiro e empregos.

A história é baseada no livro com o mesmo nome de Lauren Weisberger, que foi, na vida real, assessora de Anna Wintour, diretora da Vogue. Qualquer semelhança não é, portanto, mera coincidência.

O pecado mora ao lado... E às vezes telefona!

Estava eu chegando em casa das compras, com roupa de feira, quando vejo o vizinho mais lindo do mundo. Alto, moreno, olhos azuis, um sonho. Antes de responder seu ‘oi’, ele já estava me ajudando a carregar as sacolas. Gentil,
não? Pois bem. Moro no mesmo prédio há cinco anos. Não sei se ele, o vizinho, é casado, hétero, se vota no Lula ou no Alckmin. Mas, mesmo assim, antes de investir, fiquei na dúvida se devia ou não dar uma cantada. Drama, drama, drama! Nessas horas, a melhor coisa é ter cabeça de homem hétero: vai lá, arrisca e, se não rolar nada, azar o dele. Fui. Cantei. Dei o número do meu telefone. Ele me ligou no dia seguinte! Bingo!

Direto do 3 em 1

O que você ouvia há vinte anos naquele 3 em 1 com rádio, vitrola e gravador? Dá para imaginar por onde você andava (e quem andava com você) só pelas músicas que ainda ressoam na sua cabeça. Eu, por exemplo, lembro a primeira vez que ouvi -e achei muito esquisita - a Sonífera Ilha, dos Titãs. Isso em 1984, quando minhas amigas se descabelavam pelo Menudo. Minha prima médica chegou até a atender garotas surtadas na Santa Casa no dia em que teve show dos fofos porto-riquenhos. Também me lembro que fiquei doente até meu pai comprar o LP da Rita Lee que tinha Lança Perfume e Baila Comigo. E também me recordo de ficar cantando Menina Veneno na escola.

Claro que não dá para esquecer do rock nacional. A Blitz com o disco riscado pela censura, o RPM com a voz rouca do Paulo Ricardo, a tristeza de cortar os pulsos da Legião Urbana e a irreverência do Biquíni Cavadão. Paula Toller despontava como uma mulher forte, que não tinha medo de cantar que estava sozinha e queria prazer. Aliás, as mulheres dos 80 eram incríveis. Virginie, do Metrô ("e no balanço das horas, tudo pode mudar..."), Marina cantando"mesmo que seja eu", sem falar de Madonna e Cindy Lauper.

Os 80 foram tempos contraditórios. Ao mesmo tempo em que se vivia a ostentação yuppie, sofriam-se os impactos da recessão econômica. Por isso, não era difícil ver artistas subirem ao palco usando roupas da Fiorucci (a marca do momento) para cantar músicas de protesto: Cazuza ("Brasil, mostra sua cara"), Ultraje a Rigor ("A gente somos inúteis") e Plebe Rude ("Até quando esperar/a plebe ajoelhar/esperando a ajuda de Deus?") são bons exemplos nacionais.

Outro paradoxo: Foi uma década de hedonismo, de busca pelo prazer - com Guilherme Arantes falando que "a moçada está no cio" - junto com as primeiras vítimas da Aids aparecendo na mídia. Saber que o gostosão Freddie Mercury era soropositivo foi doloroso.

Diante de tantas ambigüidades, um adolescente queria mais era ligar o rádio e ouvir os sucessos que vinham de fora: Michael Jackson com Thriller (vai dizer que você nunca tentou imitar a coreografia?), Madonna com Like a Virgin, Queen com Love of my life. Namorar era bom ao som de Say you, say me, do Lionel Ritchie, ou Every breath you take, do The Police - com o delicioso Sting.  Mas antes de cair no amasso, tinha de dançar com Oingo Boingo, Prince, George Michael, B-52's ou Information Society. Se não conseguiu arrumar namorado, o jeito era ficar em casa ouvindo Your latest trick, do Dire Straits. Se a tristeza durasse mais de dois dias, você era um melancólico de carteirinha que deveria cultuar The Smiths. Ou então, um revoltado querendo quebrar tudo, trancado no quarto ouvindo Whitesnake e The Clash. Deprês chiques ouviam Bauhaus, Joy Division e The sisters of mercy.

Mas se você não gostava de nada disso, era só ligar a TV para ver Chitãozinho e Chororó lamentando o fio de cabelo no paletó. Enfim, a lista é imensa. A década que começou com Cláudio Zolli cantando "Na madrugada, vitrola rolando um blues", terminou com Madonna beijando um santo
negro no clipe de Like a Prayer. Todos unidos por We are the world (que você com certeza cantarolou).

 

 

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