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Melissa Mell |
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Histórias da Mell Colaboradora-Amiga:
Melissa Mell
Quem dança seus males espanta Como a maioria das crianças, tive contato com diversas atividades - ballet, tênis, vôlei, jazz etc. -, sem sucesso ou talento para nenhuma delas. Até que, aos 16 anos, descobri que, para me dedicar a algo e para dar certo, eu precisava estar apaixonada por aquilo que fazia e encontrei a dança flamenca. A aula era mágica: música ao vivo, um guitarrista espanhol que dedilhava sua guitarra flamenca com sentimento e uma professora linda e atenciosa, sem contar a imensa saia justa no corpo e rodada nas pontas e o sapato de salto cheio de preguinhos, além das flores, xales, leques... Foram dois anos de ensaios e dedicação, já que esta dança é imensamente difícil e precisa. Eu era uma boa aluna, mais porque tinha aire para a dança (postura e expressão corporal) do que pela minha técnica. Até que, no dia da apresentação de final de ano, chamaram ao palco uma moça que, a partir do ano seguinte, iria ensinar dança do ventre lá na escola: que coisa fantástica! Eu já tinha feito um workshop de férias de dança do ventre e já conhecia a dança, mas não dançada daquele jeito. A bailarina parecia um furacão e todos ficaram estarrecidos até a apresentação acabar. Não consegui tirar aquilo da cabeça e, no outro ano, comecei minhas aulas, deixando o Flamenco para quem sabia. Aquela era minha praia, e foram cinco intensos anos de aula, ensaios, festas e eventos - logo fui convidada pela professora para ingressar em seu grupo de dança. Que honra! Adquiri confiança, consciência corporal (sempre fui um tanto desastrada), uma cintura mais fina, um corpo mais delineado e um melhor condicionamento físico, já que uma aula queima várias calorias, e mais ainda as apresentações com música ao vivo. Conheci um universo novo, com canções místicas que me fascinavam e ajudavam a me encontrar, véus, cores, instrumentos de dança cheios de significado e contato com minha própria ancestralidade – afinal, parte de minha família é libanesa. Fiz muitas amigas, incluindo minha professora, a querida e genial Fairuza. Aprendi muito, cheguei a dar algumas aulas como professora substituta, me diverti horrores e me tornei uma pessoa melhor. Porém, tudo na vida é cíclico e tive de parar as aulas. Dediquei-me bastante ao meu lado profissional, percebi algumas verdades sobre a carreira que tinha escolhido (Psicologia), desfiz ilusões e estava num período de bastante tristeza e dúvida. Foi aí que, já trabalhando com Tarot, fui ler cartas em um evento de dança cigana. As mesas de leitura eram na parte externa. Pouco vi das apresentações, mas reencontrei minha querida professora e algumas amigas que continuaram dançando, depois de muito tempo. Uma grande alegria. Já me preparava para recolher as cartas, o evento já estava no final, quando minha mesa foi cercada por três meninas de seus nove anos, lindas e extremamente inteligentes. Pediram para ver minhas cartas, perguntaram se podiam mexer no meu Tarot, e uma delas disse que a mãe dela também sabia ler cartas. Começou a falar o significado de algumas e, quando vi, estava absolutamente encantada por aquelas crianças, como um encontro de almas mesmo. De repente, uma cigana veio buscá-las, e elas me disseram que faziam dança cigana numa casa de dança e me convidaram para participar de uma aula. Tiramos uma foto juntas e eu fui para casa, curtindo aquela tarde tão especial. Na terça-feira seguinte, fiz uma aula experimental e decidi começar o curso, mesmo sem me sentir muito ligada à dança, estando um tanto enferrujada e entristecida. As aulas eram muito mágicas e espirituais. Compreendi que aquelas meninas foram me resgatar e, por volta da terceira aula, aconteceu algo inesquecível. No final da aula, quando a cigana colocou uma música muito alegre e nos pediu para dançar livremente, fui me entregando ao momento, fluindo e sentindo a forte energia, quando senti uma dor muito aguda no coração, que me deixou sem ar, e logo depois senti um alívio gradual: a tristeza que estava em mim há um bom tempo finalmente passou, como que dissolvida pela poderosa magia da dança e da espiritualidade cigana. Hoje, com meus estudos, acredito que meu chacra cardíaco estava obstruído por dor e mágoa, não permitindo que meu amor fluísse, assim como outros chacras, e a energia daquele momento desbloqueou e alinhou meu centro energético (pois algumas danças trabalham os chacras, como a dança cigana e também a do ventre). Foi uma verdadeira cura! Depois daquele dia, fui me reencontrando, trabalhando um lado de minha espiritualidade que nunca havia trabalhado e que pedia atenção. Nunca me senti tão dona de mim em uma dança: como fluiu fácil, como era prazeroso e poderoso!E sabem do melhor? Como os ciganos estiveram em muitos lugares deste mundo, na dança deles, usa-se flamenco e dança do ventre, entre outras influências, ou seja, tudo que eu já sabia e amava foi aproveitado! Voltaram o leque, o pandeiro, as flores, os xales e os véus, formando uma só dança, cheia de força, paixão, alegria de viver e intensidade, e a dança também me formava da mesma maneira. Fui curada através da dança e a tive como guia e mestra. Em todos os anos de dança, vi muitos casos como os meus, de meninas desajeitadas e complexadas que se tornavam mulheres seguras e sedutoras e mulheres que recuperavam seu poder, o divino feminino sendo trabalhado e modificando a pessoa para sempre. A dança faz milagres, principalmente estas espirituais e atemporais, que não exigem que você seja velha ou nova, magra ou gorda, casada ou solteira, alta ou baixa, mas apenas que tenha alma, coração e corpo - mesmo que enferrujados, machucados ou destreinados -, pois é aí que a magia se faz do modo mais bonito e inesquecível. Aprenda alguma dança, dance sozinha, dance sem sentido, mas dance sempre. Beijos de luz e música, Melissa Mell (preparando-se para voltar a dar aulas de dança do ventre)
Texto de Melissa Mell, com cessão de direito de edição e publicação exclusivos à revista feminina na Internet - Clube da Calcinha. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos sem a expressa autorização do autor (a) e do portal.
.Leão: previsões para 2007
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